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Uma dieta vegetariana não é só mais saudável, como mais segura

Date: 17/3/2006 11:31:46
Written By: ANN/Taashi Rowe

Silver Spring, Maryland, EUA... [ASN] Notícias recentes da Administração de Alimentação e Drogas, nos EUA indicam que companhias que vendem carne costumam usar monóxido de carbono para manter a carne com aparência vermelha, mais atraente aos consumidores. Embora muitos médicos concordem que o monóxido de carbono empregado em pequenas quantidades não constitui perigo, a preocupação é de que esse elemento possa ser usado a tal ponto que até carne podre tenha aparência vermelha e nova.

Isso vem somar-se a outras preocupações relacionadas com carne nos últimos anos, tais como a danosa doença da vaca louca ou encefalopatia espongiforme, que pode ser fatal em seres humanos; o aumento de mercúrio em certos tipos de peixes, que pode causar dano cerebral a fetos e crianças pequenas; e a mais recente ameaça à saúde pelo consumo de carne, representada pela febre aviária, que está se espalhando em frangos e outros pássaros. Embora há muito tempo a carne seja considerada por muitas sociedades um aspecto central de seu regime alimentar, a Igreja Adventista do Sétimo Dia continua a recomendar um regime vegetariano, sobretudo por razões nutritivas e espirituais.

"A segurança de um ambiente rico em monóxido de carbono em carne empacotada, provavelmente não aumente em grande medida o perigo de comer carne, desde que esta haja sido conservada em temperatura de refrigeração segura por tempo não maior do que o aceitável e, então, seja apropriadamente cozida", disse o cientista em alimentação e professor emérito da Universidade Loma Linda, doutor Kenneth I. Burke, que tem lecionado cursos em ciência de alimentação por mais de 20 anos. Burke acrescentou que a prática de reduzir o envelhecimento da carne não é incomum e observa que, embora qualquer alimento – carnes ou vegetais – possam ser contaminados, "organismos causadores de doenças são abundantes na carne, [e] a possibilidade de contaminação e transmissão de doenças sempre foi uma questão de segurança".

Saber que o monóxido de carbono pode fazer com que carne em putrefação tenha aparência de carne fresca "reforça meu comprometimento em manter-me longe da carne", comentou uma instrutora de estilo de vida, Grazyna Dabrowska, também pertencente à Igreja Adventista. "Nós somos visuais. Quando compramos alimentos, podemos facilmente perceber o que tem aparência fresca e o que está estragado. Se eu não posso confiar em meus olhos para ver a diferença, então não posso ter também controle sobre minhas escolhas. Recomendo essencialmente um regime saudável, de grãos orgânicos e legumes, frutas e vegetais de cores vivas, que oferecem uma elevada qualidade de nutrientes para nosso organismo, sem os danosos efeitos de hormônios de crescimento e produtos cárneos tratados quimicamente" disse Dabrowska.

Nos EUA, medidas têm sido tomadas para aumentar a segurança da carne para consumo humano. Há um ano, a Administração de Alimentos e Drogas (sigla em inglês, FDA) implementou um novo método para impedir a difusão da “doença da vaca louca”, que inclui a prática de alimentar a maioria dos mamíferos com proteína de origem animal e resíduos de aves como ingrediente alimentar para ruminantes. Os resíduos de aves incluem até penas e material fecal coletados em granjas de criação de frangos.

"A questão de carnes puras e sem contaminação é fonte de preocupação para muitos, inclusive para a indústria da carne, que tenta manter o produto com boa qualidade", declarou diretor de Ministérios da Saúde para a Igreja Mundial, doutor Allan Handysides. Contudo, "o problema que temos com a carne tem menos que ver com questões de sua contaminação e tempo de conservação, que também se aplicam a alimentos vegetais. Há fatores intrínsecos, como o conteúdo de gordura saturada e, no caso de peixes, a poluição por componentes de mercúrio e outros metais pesados, antes de chegar à manipulação. Praticamente não há dúvida de que quanto menos alimento cárneo for consumido e mais o regime alimentar contenha alimentos integrais, mais saudável o indivíduo terá possibilidade de ser."

O comentário de Handysides reflete a posição da Igreja Adventista a respeito do regime vegetariano. No ano 2000, o Concílio de Alimentação da Igreja explicou que "por mais de 130 anos os adventistas têm promovido um estilo de vida vegetariano em virtude de sua crença na natureza holística da raça humana (um todo indivisível). O que quer que se faça no comer ou beber, deve ser feito para honrar e glorificar a Deus e preservar a saúde do corpo, da mente e do espírito".

Um estudo dos anos 60, realizado pela Universidade Loma Linda e patrocinado pelos Institutos Nacionais de Saúde (sigla em inglês NIH), analisou o estilo de vida dos adventistas. O estudo descobriu que os adventistas, em geral, têm 50 por cento menor risco de doença cardíaca, de certos tipos de cânceres, ataques de coração e diabetes.

"Não desejo dizer que ser vegetariano eliminará todas as doenças, mas os vegetarianos vivem mais tempo e o ‘Estudo Sobre Saúde dos Adventistas’ comprova isso", disse o doutor Burke.

Os NIH estão patrocinando um segundo estudo sobre os adventistas para ver se há uma ligação entre o regime alimentar e o câncer.

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